Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

                Às vezes sou pequeno. Às vezes sinto-me impotente, sem forças e sem vontade. Sem vontade para fazer aquelas coisas que sempre gostei de fazer! Ler um livro, conversar com um amigo ou beijar a pessoa que amo. Nestas alturas, e desde que me lembro, a minha mãe cuidava de mim, trazia-me analgésicos, aconchegava-me a cama e sussurrava-me palavras de conforto e amor.

 

            Encolhido debaixo dos cobertores este eu, frágil, soçobrava a cada grau de febre, ténue e em sofrimento por ser menos do que costumava ser. Nunca me dei bem com isso, ser menos do que que posso ou devo ser. As minhas capacidades sempre foram a minha paixão, a minha vida, a minha forma de explorar o mundo. A lógica, a filosofia, a história, o humor… e dentro desse humor, claro, o sarcasmo, eram (e são) a minha janela para o exterior. Porém, o homem que ali está encolhido dentro da cama, enfezado e vulnerável, parece que perdeu tudo o que o definia e validava. Seja vontade, seja capacidade. Fica reduzido a um sub-humano, seja por três ou quatro dias. E isso não ele não suporta.

 

            A sua própria pequenez… vulnerabilidade. A fragilidade e incapacidade de fazer ou ser o que quer que seja; quem pode amar ou dedicar-se a uma criatura assim? Hoje, anos e anos depois das minhas desventuras com os meus primeiros estados febris, amigdalites e semelhantes coisas, estou de novo na minha cama, a tremer e a suspirar, reduzido a um nada. À espera que as horas passem até ao próximo paracetamol.

 

            A pessoa que queria comigo já não é a minha mãe, com a sua imparável dedicação e amor, arranjando sempre tempo para o filho fragilizado. Ela, essa pessoa que tanto significa, será sempre o meu passado, presente e futuro. Dela tive e tenho tudo, tão palpável e incondicional. No entanto, o homem que jaz ali sozinho suspira, suspira porque ama; e era esse amor que o sustinha dentre suores frios. Ele ama, mas de maneira diferente. Ama aquela que era o seu mundo, e nele a sua protectora, assim como ele o era no dela. Quando subia a sua cabeça de entre os lençóis, tremendo e respirando pesadamente, sentia as suas mãos pequenas e o seu beijo quente. Durante a noite, tomado pela febre, adivinhava o seu pequeno corpo aconchegado contra o dele, pronto a confortá-lo e a escudá-lo na escuridão. De manhã, ela ia e voltava, sempre pensando em mim, o seu pequeno sapo e príncipe, fazendo o que fosse preciso para me ressuscitar da minha inércia. O seu abraço, o cheiro do seu cabelo, o seu beijo e toque, nunca os esqueço nestas noites de pequenez. Em que este eu não é mais que uma criança.

 

            Agora, agora tusso e não ouço a sua voz, tremo mas só me responde o silêncio. O seu calor foi-se, entregue a um futuro que não é meu. Agora, espero pelo passar do tempo, sozinho, sem esperança, de entre delírios febris. Porque ela já não ama, já não ama esta criatura débil e patética, que nada mais faz senão sonhar com ela.

 

            Às vezes, como se um miúdo fora, olho pela porta, os meus olhos cansados e tolhidos pela febre, na esperança de vê-la entrar com um chá, umas bolachas, ou simplesmente um beijo. Depois choro, choro porque já nada disto existe.

publicado por Diogo Santos às 17:35
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Domingo, 20 de Novembro de 2011

            Por la mañana pequeños suspiros me despertaban, acompañando el azul del cielo en el anunciar de un nuevo día. Tú te movías, lentamente y aun soñando, quitándome, como siempre, la ropa de la cama. Yo, medio despierto te miraba, a veces por horas, admirando la belleza y pequeñez de mi princesa. Señora de mi corazón y ser.

 

            Cada toque en tu piel, cada sentir de tu pelo me llevaba a un mondo encantado, una ilusión que vivía todos los días mientras me despertaba. Pero estos sueños, este sueño, era más que una veleidad nocturna, era real. Yo podía tocarte el cuello, susurrarte a los oídos y, encima de todo, cogerte con mis manos y abrazarte. Protegerte con mi cuerpo y alma.

 

            Cuando así estábamos, sintiéndote, te daba la mano. Mano que tú cogías con todas tus fuerzas. Aun durmiendo, tus pequeños y delicados dedos se empezaban a pasear por los míos, por la palma de mi mano y por toda mi realidad.

 

            Y así quedábamos nosotros, hasta que, en un súbito momento, tú te despertabas tirándote a mi pecho, me apretabas de arriba abajo, tocabas a mi nariz con la tuya y abrías los ojos. En esas joyas color de avellana, todo hacía sentido. Yo, tu, nuestro mondo, nuestro futuro.

 

            Ahora, no más.

 

publicado por Diogo Santos às 19:48
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Amei-te e por te amar

Só a ti eu não via...

Eras o céu e o mar,

Eras a noite e o dia...

Só quando te perdi

É que eu te conheci...

 

Quando te tinha diante

Do meu olhar submerso

Não eras minha amante...

Eras o Universo...

Agora que te não tenho,

És só do teu tamanho.

 

Estavas-me longe na alma,

Por isso eu não te via...

Presença em mim tão calma,

Que eu a não sentia.

Só quando meu ser te perdeu

Vi que não eras eu.

 

Não sei o que eras. Creio

Que o meu modo de olhar,

Meu sentir meu anseio

Meu jeito de pensar...

Eras minha alma, fora

Do Lugar e da Hora...

 

Hoje eu busco-te e choro

Por te poder achar

Não sequer te memoro

Como te tive a amar...

Nem foste um sonho meu...

Porque te choro eu?

 

Não sei... Perdi-te, e és hoje

Real no [...] real...

Como a hora que foge,

Foges e tudo é igual

A si-próprio e é tão triste

O que vejo que existe.

 

Em que és [...J fictício,

Em que tempo parado

Foste o (...) cilício

Que quando em fé fechado

Não sentia e hoje sinto

Que acordo e não me minto...

 

[...] tuas mãos, contudo,

Sinto nas minhas mãos,

Nosso olhar fixo e mudo

Quantos momentos vãos

Pra além de nós viveu

Nem nosso, teu ou meu...

 

Quantas vezes sentimos

Alma nosso contacto

Quantas vezes seguimos

Pelo caminho abstracto

Que vai entre alma e alma…

Horas de inquieta calma!

 

E hoje pergunto em mim

Quem foi que amei, beijei

Com quem perdi o fim

Aos sonhos que sonhei…

Procuro-te e nem vejo

O meu próprio desejo…

 

Que foi real em nós?

Que houve em nós de sonho?

De que Nós fomos de que voz

O duplo eco risonho

Que unidade tivemos?

O que foi que perdemos?

 

Nós não sonhámos. Eras

Real e eu era real.

Tuas mãos — tão sinceras…

Meu gesto — tão leal...

Tu e eu lado a lado...

Isto... e isto acabado...

 

Como houve em nós amor

E deixou de o haver?

Sei que hoje é vaga dor

O que era então prazer...

Mas não sei que passou

Por nós e acordou...

 

Amámo-nos deveras?

Amamo-nos ainda?

Se penso vejo que eras

A mesma que és... E finda

Tudo o que foi o amor;

Assim quase sem dor.

 

Sem dor... Um pasmo vago

De ter havido amar...

Quase que me embriago

De mal poder pensar...

O que mudou e onde?

O que é que em nós se esconde?

 

Talvez sintas como eu

E não saibas sentil-o...

Ser é ser nosso véu

Amar é encobril-o,

Hoje que te deixei

É que sei que te amei...

 

Somos a nossa bruma…

É pra dentro que vemos...

Caem-nos uma a uma

As compreensões que temos

E ficamos no frio

Do Universo vazio...

 

Que importa? Se o que foi

Entre nós foi amor,

Se por te amar me dói

Já não te amar, e a dor

Tem um íntimo sentido,

Nada será perdido...

 

E além de nós, no Agora

Que não nos tem por véus

Viveremos a Hora

Virados para Deus

E n'um (...) mudo

Compreenderemos tudo.

 

Fernando Pessoa

publicado por Diogo Santos às 12:20
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

 

 

 

            Na cidade, o silêncio nocturno não é silêncio. É mais um burburinho estático absorvente, uma certa inconstância sensitiva. Perfeita para dissimular pensamentos, sentimentos e lugares mentais similares. Na cidade, o anónimo, o flutuante, o relativo e o movimento são os acordes da existência. Por isso a sua angústia não era ouvida, apesar de gritada na surdina crepuscular. Quem passasse por ele talvez pressentisse alguma coisa, uma intuição aqui ou acolá, daquilo que ele ia perdendo pelas ruas fora, um miasmo incolor e inclemente.

 

            E que rasto curioso seria, o daquela substância feita de sonho, desejo e dedicação; muitos talvez lhe chamariam amor. Noutro mundo, noutro sítio, num  edílico campo verdejante, alguém diria: “Que Belo, que Maravilhoso! Porque o estará a largar ali? Aquilo que é tão seu e tão único?” Não, aqui ninguém notaria, ninguém se dignaria a prestar mais que um segundo do seu tempo a tal sangue, a tal essência.

 

Nas entrelinhas dos seus passos erráticos, mais guiados pela alma que pela razão, ele próprio tenta abstrair-se do que lhe vai fluindo dolorosamente pelo tempo. Ele sabe, sente, pulsa, vê-se (ou ver-se-ia) no fundo dos seus olhos, no ligeiro arrastar dos seus passos, sempre fingindo segurança. E no entanto tenta não ver… negar, dizer-se um oximoro, uma fraude que é mas nunca poderia ser.

 

As parcas luzes que o rodeiam servem de intenção, de túnel, para sair de si mesmo e deixar este carniceiro existencial purga-lo até à última gota. Ele já fez as pazes com ele, um pacto ultrajante e mundano, efectuado na viagem calma e estagnante prévia a estes passos sussurrantes. Agora, no agora é o fim, é o largar definitivamente de tudo aquilo que era o seu mundo, a sua referência, o alvo do seu calor e paixão.

 

Os lábios dela, já não os pode ver doces, melosos, sempre procurando os seus; são agora a promessa de que outros a terão e procurarão. O seu toque delicado, apaixonado e ternurento, fez-se agora doloroso, a prova de que já nada será o mesmo; uma lembrança daquilo que teve e nunca mais terá. O seu cabelo, os seus seios, as suas ancas… ela, toda ela, no calor da paixão são senão uma chama que se apaga por fora e se acumula por dentro, acumula, acumula e que, ele sabe mas não admite, será entregue a outro, com o dobro da intensidade e desejo.

 

É então que ele redobra o seu esforço, já com lágrimas nos olhos, para espalhar tudo o que lhe resta pelo alcatrão mudo e frio, com o orvalho triste a testemunhar aquela última Humanidade dentro dele a cair no chão. Quando já nada sobra senão um fio ténue e hesitante, espectro presente de tudo o que destruiu, ele chora, desta vez copiosamente, porque sentirá tudo outra vez sempre que ela toque, sempre que ela sinta, sempre que ela possua outro, outro! Esse anónimo fantasma, que o sangrará e torturará a cada beijo, promessa ou gemido… a cada sentir…

 

            O peito, ele sabe, rebentar-lhe-á por dentro.

publicado por Diogo Santos às 19:16
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

In an instant, it seemed that every breath had been taken away by the swooping heat. The passengers of the train were all engulfed in a searing cloud that seemed to devoid everything of their sense and purpose. There was nothing left than the faint mechanic impulse of long-gone vacations; go to the beach, be scarred by the sun, return home, change and reduce yourself to a drunken/hormonal stupor.  Programmed behavior was the only one possible, as the temperature devoided men of all reason and sense.  Everybody was covered in a thin sheet of sweat, a testimony to what will become off these beings while here; the proof of servitude to the emptiness of the mind.  No rational thought can long survive in this state of pure abnegation. The heat dehumanizes, profoundly, as it makes men much more sensible to the enjoying of lack of purpose, and to those who resist, the glued clothes, smiling beaches and nights filled with liquor and sex will soon scramble every wall they put between them and the southern summer.

 

Thus, I had arrived at the station.

publicado por Diogo Santos às 20:17
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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

Quando tenho um dia particularmente ingrato que me abala e faz soçobrar, e ainda para mais que não é culpa de ninguém, não posso evitar sentir uma estranha projecção futura, uma “fuga” moral, emocional e racional para o “eu” que vou ser.  Fiquei ontem a pensar nisto no espaço impessoal e mecânico que é o comboio nocturno de todos os dias à medida que me dava conta, como ser Humano que ainda sou, da angústia, frustração e calma (sim, calma) que sentia, numa mistura pós-moderna insalubre a qual me toldava os sentidos.

 

“É a perda total de significado.” – pensava. De facto, a reconstrução permanente da minha relação com o espaço e com as pessoas que nele me rodeiam faz com que seja fácil perceber porque tenho os meus rochedos, os meus amigos de sempre. Simplesmente tudo o resto é de certa maneira intangível. A sua significância muda a uma velocidade incrível, e mais, fa-lo de forma semi-arbitrária, amoral e desumana. E quando o ser das coisas é não ser, e isto é o que me parece, é difícil ver as cores, sentir alegria e não passar pelos dias com um certo sabor a cinza na boca. Tudo, por muito bom ou especial que seja, vem com um enorme sentido de medo e transitoriedade. “Será que vai deixar de ser?” “Quando se passará?” “É ou não é ?”

 

Como dizia Eisestadt, a modernidade é caracterizada pelos fim dos marcadores de certeza. Toda a realidade é permanentemente restruturável, reinterpretável e cambiante. Os conflitos pulsam a um ritmo incessante e as transformações privam-nos de estabilidade moral, emocional e racional. Por isso, quando estou, e é quase sempre, deslocado da realidade (até porque também não sei o que ela é) penso numa utopia pessoal futura, num “eu” realizado, para conseguir reunir força e vontade para suportar toda esta torrente incessante. Vou conseguir “isto” e “aquilo”, coisas que têm uma relevância última. Vou estudar no Japão, trabalhar numa embaixada, escrever sobre filosofia política ou conhecer outras e grandes coisas. Só me centrando nesses pensamentos consigo obliterar a crueza e aleatoriedade actual.

 

O Diogo de faz algum tempo estaria provavelmente agora a tremer, horrorizado e chocado. Estaria desprovido de dignidade e a gritar em silêncio. O local e a hora onde, fez ontem uma semana, estava optimista, bem disposto, com esperança e até sensível tornou-se numa câmara de maturação de uma tristeza soçobrante, de uma confusão e traição moral sem nome. Só me apercebi depois, naquele comboio de que vos falei. O que me fez realmente entender a destruição do belo, da virtude, da esperança foi o contraste agudo e cruel. Todas as quintas-feiras das 6h30 às 9h estou lá. Os mesmos conteúdos, a mesma (excelente, diga-se) professora, os mesmo colegas. No entanto, a semana passada era a porta de entrada para uma noite sonhada, que se concretizou e, logo depois, logo no próximo encontro, só estava naquela sala o esboço sombrio de tudo o que tinha sido despedaçado, assim, sem mais, pela própria realidade.

 

Curioso, a esperança e a humanidade que tinham nascido lá foram destiladas e cuspidas no mesmo local, exactamente uma semana depois. Quase industrialmente. E sabem o que é o mais peculiar? É que me tinham avisado sobre os perigos da minha própria desumanidade, que a construção de algo de sensível com outra pessoa envolvia o negar dos meus instintos pessimistas e jocosidade estético-sexual; certíssimo, agi em conformidade. O que não acharam relevante foi, talvez, o que se poderia passar com esse Diogo desnudado e sincero.

 

Não faz mal, eu sei muito bem lidar com isso. Estou habituado à amoralidade existencial e à negação da emoção sensível. A elas voltarei, como sempre, mas um pouco mais ressequido por dentro.

 

Diogo Santos; 18/11/2010; Já está, já passou

publicado por Diogo Santos às 13:30
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Há certas conjecturas críticas sobre as quais o Homem pensante não tem outra hipótese senão pensar-se a si mesmo e pronunciar-se. Há momentos na história ou outros pela história fora, mais ou menos claros, os quais obrigam ao exercício da liberdade de uma forma tão vigorosa e reafirmante que a sua pulsão se parece quase anárquica e porém é nobre, como um paladino eferverscente encurralado num panteão de inimigos.

 

Coisas que nunca deveriam ter sido esquecidas foram, acções que nunca deveriam ter sido tomadas ocorreram e, apesar de Locke, Montesquieu, Thoreau ou Hayek, as teias cheias de subterfúgio da servidão colectivista, do ser humano com “h” pequeno vergado sobre o paternalismo, vão sussurando no decorrer do tempo. Aqui, ali… e acolá também.

 

A massa disforme sem face do Leviatã propõe-se na modernidade, e cada vez mais, como a detentora da verdade e da noção de um rumo colectivo Objectivo e Inalianável para a Humanidade. O seu esgar mecânico e inexpressivo transforma a creatividade em burocracia, a liberdade em mecanicismo, o vigor cívico em ritual estatalista, perdão, Estatalista.

 

Toma conta de nós, vigia-nos, perto mas longe, desumano. Aqueles que competem pela cabeça do monstro têm um só objectivo, aumentá-lo. Crêm eles que os seus olhos sem pálpebra vêm mais longe, e na sua mente sonhada querem reprecurtir nobres ideais para o povo e o Homem como ser último. Eles Sabem! Há que Fazê-lo!

 

Esquecem-se, claro, que o Homem é tudo menos um ser a programar, que é tudo menos uma determinação cientista e positivista de um absurdo extrapolar da nobre razão. O Homem é Homem porque estabelece os seus fins livremente, porque pensa e actua emancipadamente, porque cria e recria, porque vive… porque tem dúvidas!

 

Dúvida a qual não tem espaço na cabeça do Grande Pai que nos subjuga com as suas certezas bem intencionadas, com planos e replanos para o nosso bem estar cortando todos os vinculos possíveis que unem o cerne Humano a outros como ele. Nada pode falhar, só há uma relação possível, com o plano, com o ideal. Tudo o resto são erros, imperfeições a corrigir… seja como for! Caiam o ferro e o fogo este Deus terreno que é o Estado vai reparar e corrigir tudo e os homenzinhos doentios que estão dentro dele vão congeminar a maneira última! Sim! A maneira última de purgar tudo o que está errado, Cientificamente errado, naquele homem que não sabe o que quer! Iluminados estes com os mais variados “ismos” explorarão a solução última para o paraíso! Um paraíso que já não é Humano, porque tudo o que é Humano já foi negado, espezinhado, dilacerado e reprogramado pela fúria do nosso Salvador.

 

Só a verdade subjectiva da escolha Humana, a nossa capacidade associativa,  o nosso querer individual e determinação libertária podem fazer frente ao Programa, ao Estado que tudo quer incluir e àqueles que em nome dele “tudo” nos querem dar e que, no entanto, querem definir esse “tudo” e obliterar a escolha e a emancipação dizendo que a salvam.

 

Desobediência Civil, porque o estado nunca substituitá o Homem Livre!

publicado por Diogo Santos às 00:39
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Na volta à FCSH, finalmente diga-se, ao que tou habituado a ver juntou-se um maralhal de novos cheiros, sabores e essências. No entanto nem tudo muda. As velhas pedras da faculdade, sempre serenas, continuam, serenamente, a ser cagadas pelos pombos da praxe, os socialistas continuam a alimentar as cervejeiras capitalistas e os serviços administrativos continuam a funcionar como o vento. Pela esplanada da faculdade tive o prazer de rever as velhas caras dos veteranos “enrugados” de CPRI. Além do inevitável César (meu companheiro nesta 4ª matrícula) muitos continuaram na faculdade ou visitam-nos frequentemente. Sinceramente fico agradecido, já que a sapiência de uns e outros foi e é muito importante no meu processo de construção indivídual e social.

 

Nesta tal familiaridade, conforto do meu ser, deu-se o contacto com o novo ar que respira a faculdade. O ensino público português abençoou-nos com uma nova geração de caloiros com muito para dar; e que mais podemos senão explorar e estimular o seu potencial (seja ele qual for…)! Pelo que parece no meio dos renovados eventos de início de ano um “Eu” alterado (haverá quem diga, adulterado) mudou absolutamente de paradigma existencial! (Perdoa-me António… xD). Um nihilismo assombrou aqueles que em si me tinham aparecendo-lhes diante um mundo de cisão, obliteração da antiguidade até.

 

No meio de tal rebuliço conceptual é a sempre calmamente expressa sabedoria do Mário que sonda os interstícios de tais fenómenos, indo para além do aparente. Método? Claro, longos e aprazíveis diálogos nos quais se explora brandamente as linhas do tempo humano e os seus haveres. De facto, foi no meio de todo o caos teleológico derivado do nosso jantar de curso (FTW), no qual o fulgor proactivo deste Diogo “pós-Santiago” tomou forma vibrante e imperativamente (subjectiva é esta apreciação), que o contínuo entre o futuro e o passado se fez notar. Perante os olhos sensatos do Mário senti o meu tempo balançar entre as certezas da projecção futura, toda ela atraente, bela e provocante e os tenros murmúrios do passado recuperado, pseudo inocente, divertida, perspicaz e, inevitavelmente, lolita.

 

O Diogo que era e que é gosta de olhar para o rio, sentado numa ponte, entre o passado e o futuro.

publicado por Diogo Santos às 01:21
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